quinta-feira, 7 de julho de 2011

Os hábitos que fazem bem ao cérebro

Estudos recentes sugerem que o desempenho do cérebro melhora conforme envelhecemos. Algumas habilidades, como a capacidade de resolver problemas, atingem seu ápice entre os 40 e 60 anos. A boa nova, porém, vem acompanhada de um aviso: para manter os circuitos em pleno funcionamento com o passar dos anos, é necessário tomar precauções e colocar o corpo e a mente para funcionar.Atividades físicasDesde que os pesquisadores descobriram que os neurônios continuam a nascer durante toda a vida, ainda na década de 1980, o foco das pesquisas se voltou para descobrir quais fatores estimulariam a geração dessas novas células. Os cientistas descobriram que quanto mais sangue circular pelo cérebro, maior o número de novas neurônios. E uma ótima maneira de aumentar o fluxo sanguíneo é praticar exercícios.Os estudos mais recentes sugerem que a atividade física estimula o desenvolvimento de novos neurônios em uma região do cérebro responsável pela memória, o hipocampo. O efeito se dá especificamente em uma pequena área do hipocampo, chamada de giro dentado. Outras regiões cerebrais, ligadas à cognição e ao raciocínio, também se beneficiam com atividades físicas. O neurocientista Art Kramer, da Universidade de Illinois, monitorou um grupo de pessoas com mais de 60 anos que praticou exercícios regularmente durante seis meses. O grupo teve um aumento do volume cerebral em áreas do lobo frontal, região importante para o raciocínio, e do corpo caloso, área que une as duas metades do cérebro. Pesquisas anteriores sugerem que, quando essa região sofre deterioração com o passar dos anos, a velocidade do raciocínio é prejudicada.Não é preciso se tornar um atleta de triatlo para cuidar do cérebro. Caminhar trinta minutos, três vezes por semana já tem seus efeitos, dizem os especialistas.AlimentaçãoA ciência ainda está começando a desvendar se - e como - a alimentação pode ajudar a manter o bom desempenho do cérebro. O que se sabe até o momento é que certos nutrientes podem chegar, sim, até o cérebro e afetar seu funcionamento, e que doenças crônicas ligadas à obesidade, como o diabetes, podem aumentar o risco de doenças neurodegenerativas, como o Mal de Alzheimer.Os estudos na área estão direcionados para a ação de agentes anti-inflamatórios e anti-oxidantes (substâncias que impedem o acúmulo de moléculas nas células, que podem causar erros de funcionamento). Um experimento feito em animais pela pesquisadora Barbara Shukitt-Hale, da Universidade de Tufts, nos Estados Unidos, sugere que anti-oxidantes encontrados no morango, uva e derivados, espinafre e, principalmente, no mirtilo, (fruta comum na Europa) adiaram danos à memória e a funções motoras. No estudo, os ratos mais velhos, que já apresentavam declínio cognitivo, foram alimentados com extrato de mirtilo e morango. Os animais tiveram um desempenho melhor nos testes que mediram habilidades cognitivas e motores. E quando os pesquisadores analisaram o cérebro dos animais, perceberam que havia menos moléculas que podem causar erros de funcionamento nas células. “Nosso estudo mostrou que esses agentes antioxidantes têm efeito direto no cérebro, aumentando a produção de neurônios e de ligações entre essas células”, diz Barbara.Ginástica CerebralAté a Nintendo, com o seu Brain Age, entrou no mercado dos games de ginástica cerebral, que prometem deixar a mente mais afiada e retardar os efeitos da idade. Nenhum desses jogos apresentou provas científicas do seu funcionamento, mas o surgimento desse nicho de consumo deixa a dúvida: é possível, por meio de estímulos direcionados, “treinar” nosso cérebro? Sudoku e palavra cruzada ajudam? Podemos exercitar nossa mente para resistir aos efeitos do envelhecimento? É o que os neurocientistas buscam descobrir no momento.Estímulos à concentração e desvio de foco para treinar o cérebro parecem ter efeitos positivos. Um estudo conduzido na Universidade de Columbia pelo neurocientista Yaakov Stern usou um jogo chamado Fortaleza Espacial, que induz seus jogadores a se concentrar em tarefas distintas. Os resultados iniciais do estudo sugerem que treinar a concentração em uma tarefa, enquanto outras são realizadas ao mesmo tempo, melhora o desempenho em testes cognitivos.Para Ivan Okamoto, pesquisador do Instituto da Memória da Universidade Federal de São Paulo, devemos apostar em atividades estimulantes em vez de investir em exercícios destinados apenas a melhorar o desempenho cognitivo. “A complexidade da tarefa é que vai fornecer mais dados, mais habilidades, tanto motoras quanto sensoriais e sensitivas”, diz Okamoto. “Melhor do fazer palavras cruzadas, é aprender uma língua estrangeira. Melhor do que jogar xadrez é navegar no computador”. O importante é viver em um ambiente estimulante e procurar sempre adquirir novas habilidades, seja um novo idioma ou aprender a tocar um instrumento. O relacionamento com a família e os amigos é outra maneira de estimular o cérebro. “Isso mantém a atividade intelectual e emocional”, diz Okamoto.
Fonte: ÉPOCA

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Novos antibióticos são promessa contra superbactérias resistentes

Dois novos antibióticos com diferentes mecanismos de ação sobre o ribossomo (estrutura celular que fabrica proteína) das bactérias são as promessas no combate às infecções causadas por agentes multirresistentes.
Um dos ganhadores do Prêmio Nobel de Química de 2009, o americano Thomas Steitz relatou a ação dessas novas drogas, em fase de pesquisa clínica.

Uma delas age em área específica do ribossomo -onde outros fármacos não atuam-, e a outra causa um bloqueio que impede a sua atividade.

"Chamamos isso de constipação molecular", disse Steitz, durante palestra em Lindau (Alemanha), para uma plateia de jovens cientistas e jornalistas.

Os antibióticos curam várias doenças por meio do bloqueio da função dos ribossomos bacterianos. Se o ribossomo não funciona, a bactéria não pode sobreviver.

Para a infectologista brasileira Ana Luíza Gibertoni Cruz, presente no evento, essas novas pesquisas são importantes porque, especialmente no caso de pacientes hospitalizados, o número de infecções por bactérias multirresistentes vem crescendo.

"As novas drogas infelizmente não têm acompanhado a velocidade com que as bactérias conseguem escapar dos tratamentos", diz ela.
INÍCIO
Há dois anos, Steitz e outros dois cientistas (Venkatraman Ramakrishnan e a israelense Ada Yonath) levaram o prêmio por trabalhos que mostraram imagens dos ribossomos com uma definição que lhes permitiu interpretar as posições atômicas da estrutura deles, facilitando entender seu funcionamento.
Em entrevista à Folha, Yonath contou que hoje 40% dos antibióticos disponíveis atacam o ribossomo da bactéria. "Muitos antibióticos matam a bactéria, impedindo-as que fabriquem suas proteínas vitais. Mas é fundamental buscar novas formas de combate para enfrentar as superbactérias."
Yonath e os outros dois premiados explicaram, por meio de modelos tridimensionais, como o DNA é lido pela célula e mostraram o ribossomo em funcionamento.
Eles utilizaram um método chamado cristalografia de raios X para mapear a posição de cada um das centenas de milhares de átomos que formam o ribossomo.
FONTE: FOLHA ONLINE

terça-feira, 5 de julho de 2011

Refrigerantes diet aumentam acúmulo de gordura na cintura

A bebida eleva ainda os riscos de diabetes tipo 2, derrame e doenças cardíacas
Os refrigerantes diet sempre estiveram relacionados a hábitos saudáveis, já que contêm poucas calorias. Mas eles podem ser extremamente prejudiciais à saúde, apontam pesquisas recentes. Segundo dados apresentados em uma conferência da Associação Americana de Diabetes, o consumo regular da refrigerante dietético resultou em um aumento até 70% maior na circunferência da cintura em relação às pessoas que não consomem a bebida. Esses refrigerantes ainda aumentariam os riscos de diabetes tipo 2, síndrome metabólica, derrame e doenças cardíacas.
No estudo, pesquisadores pela Escola de Medicina da Universidade do Texas analisaram dados de 474 adultos durante quase dez anos. Os voluntários informaram a frequência da ingestão do refrigerante diet e tiveram a circunferência da cintura, altura e peso medidos em quatro momentos diferentes. O objetivo era rastrear qualquer relação entre a bebida e o acúmulo de gordura no corpo com o passar do tempo.
Ao fim do estudo, os pesquisadores perceberam que a média da cintura de todos os participantes tinha aumentado. Mas aquelas pessoas que consumiam periodicamente refrigerantes diet tiveram um aumento 70% maior do que os que não consumiam refrigerantes de qualquer espécie. o período entre a primeira e a última medição foi nove anos e seis meses. Entre os consumidores mais vorazes, que bebem dois ou mais refrigerantes diet ao dia, o aumento na cintura foi de 500%.
Os motivos exatos que relacionam a bebida ao acúmulo de gordura abdominal, no entanto, não foram descobertos pela equipe de pesquisadores. Uma das hipóteses é a de que essas bebidas enganariam o cérebro, já que alimentos doces tendem a ser altamente calóricos, o que não acontece com a bebida. Assim, o cérebro estaria recebendo uma resposta errada do refrigerante, por causa do seu gosto doce. Algumas pesquisas afirmam que isso levaria o organismo a acumular mais gordura de reserva; outras, que isso aumentaria o apetite por alimentos altamente calóricos para suprir a lacuna criada pela bebida.
Diabetes — Outra pesquisa apresentada durante a conferência mostrou que os refrigerantes diet também estão relacionados com o diabetes tipo 2. No estudo, também da Universidade do Texas, a equipe mostrou que camundongos que ingeriam aspartame — adoçante usado nas bebidas — tinham níveis elevados de glicemia em jejum, um indicador do diabetes ou da condição pré-diabética.
Não é a primeira vez que se apontam os riscos dos refrigerantes dietéticos. Um estudo publicado no começo de 2011 já alertava que os refrigerantes diet podem ser responsáveis pelo aumento dos riscos de infarto e derrames.
FONTE: VEJA ONLINE

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Distúrbio faz com que pessoas não saibam que dormiram

Ninguém consegue passar meses absolutamente sem dormir. Ainda assim, muita gente jura que está há vários anos sem pregar os olhos. Essas pessoas não estão mentindo. Elas simplesmente não percebem que dormiram.
"Alguns pacientes têm uma quantidade normal de horas dormidas, mas, por uma alteração cognitiva, não se dão conta disso", explica o neurologista Luciano Ribeiro, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).Embora pouco conhecido, o distúrbio, chamado de insônia paradoxal, não é um subtipo especial de insônia --problema que afeta cerca de 32% dos paulistanos.
"Estudos já mostraram que pessoas com insônia têm a tendência de subestimar suas horas dormidas. Nesses casos, então, isso vai ao extremo", explica Ribeiro.
"Há pacientes que chegam ao consultório e dizem que não dormem há dois, três anos. Isso, claro, é biologicamente impossível, mas eles não se dão conta desse fato."
LEMBRANÇAS
A maioria das pessoas que sofre com esse distúrbio consegue se lembrar de boa parte do que aconteceu durante a noite, o que reforça a ideia de que passaram praticamente a noite toda acordadas.
Isso acontece porque quase 50% do tempo de sono é do chamado sono leve, quando se pode registrar estímulos visuais e auditivos.
"Grosso modo, é como acontece quando alguém cochila rapidamente vendo televisão. Muitas vezes a pessoa sequer percebe que dormiu, porque consegue lembrar das imagens e das falas", afirma o neurologista.
Normalmente existe uma espécie de bloqueio do organismo que nos "desliga" desses estímulos. Em quem sofre com a insônia paradoxal, por alguma razão, isso não costuma acontecer.
SINTOMAS
Para o bom funcionamento do organismo, não basta dormir. É preciso ter consciência do sono. Por isso, muitos dos que têm esse distúrbio costumam apresentar sintomas típicos da verdadeira privação de sono, como cansaço e irritabilidade.
Assim como na insônia "convencional", os principais afetados são aqueles submetidos a situações de stress ou desgaste emocional.
Esses sintomas típicos da privação de sono, aliados ao desconhecimento do distúrbio, costumam mascará-lo.
FONTE: FOLHA ONLINE

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Malhar de estômago vazio não ajuda a queimar gordura, diz estudo

Malhar enquanto se passa fome pode ir contra a sabedoria convencional, mas muitos atletas e "ratos de academia" fazem força com o estômago vazio, acreditando que dessa maneira irão queimar mais gordura.
O conceito, defendido em livros populares de condicionamento físico na última década, dita que o ato de exercitar-se com o estômago vazio força o corpo a buscar combustível nos depósitos de gordura acumulada em vez de correr atrás dos carboidratos mais facilmente disponíveis depois de um almoço ou lanche pré-malhação.
Mas, embora isso pareça fazer sentido, pesquisas mostram que exercitar-se desse jeito não oferece nenhum benefício, podendo inclusive trabalhar contra a saúde.
Após anos de revisão de pesquisas sobre o assunto, um relatório publicado nesse ano no "Strength and Conditioning Journal" concluiu que o corpo queima basicamente a mesma quantidade de gordura, desconsiderando se você se alimentou ou não antes do exercício. Porém, você pode perder musculatura fazendo esforço em um estado de esgotamento e, sem o combustível necessário para apoiar esse esforço, a intensidade do exercício e a queima global de calorias podem sofrer redução.
Uma das pesquisas revisadas para o relatório examinou ciclistas quando treinavam depois de comer e quando treinavam em jejum. Quando treinavam sem nada em seus estômagos, aproximadamente 10% das calorias queimadas vinham de proteínas, incluindo perda muscular.
Em uma outra pesquisa publicada em 2002, cientistas descobriram um benefício adicional de uma refeição pré-malhação: mulheres saudáveis que consumiam 45 gramas de carboidratos antes de seu exercício acabavam comendo menos durante o restante do dia.
FONTE: FOLHA ONLINE