quarta-feira, 9 de março de 2011

Pesquisa da USP mostra como cigarro causa artrite

Um mecanismo que desencadeia a artrite reumatoide em fumantes foi identificado por pesquisa da FMRP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto), da USP.
Já se sabia que quem tem predisposição genética e fuma pode sofrer dessa doença inflamatória crônica, que causa dores e rigidez matinal nas mãos e nos pés.
Agora, o estudo do biomédico Jhimmy Talbolt, defendido como dissertação de mestrado na última semana, revela como isso acontece.
Quando a pessoa fuma, uma das células do sistema de defesa -a TH17- é sensibilizada e fica doente.
Ao ser estimulada pelos hidrocarbonetos aromáticos da fumaça do cigarro, a TH17 passa a orientar o sistema de defesa a destruir articulações das mãos, pés, joelhos, punhos, cotovelos e tornozelo.
O professor de reumatologia da FMRP e orientador de Talbot, Paulo Louzada Junior, disse que o resultado pode ser o ponto de partida para o desenvolvimento de uma droga que reduza os sintomas da doença com mais eficiência ou até interrompa o processo de deterioração das articulações periféricas.
Segundo Louzada Junior, a artrite reumatoide atinge 1% da população adulta brasileira e a descoberta é inédita na literatura científica.
A pesquisa, com financiamento do CNPq e da Fapesp, acompanhou durante dois anos 138 pacientes com artrite reumatoide (metade fumante) e um grupo-controle com 129 pessoas sadias.
Foram comparadas as mutações genéticas do sangue de pacientes fumantes e não fumantes com o sangue do grupo-controle.
Essas informações foram relacionadas aos dados clínicos de cada um, constatando que a fumaça do cigarro e a célula TH17 estavam ligadas à artrite reumatoide.
"Em modelos experimentais em camundongos, constatamos que os receptores de hidrocarboneto arila [da fumaça do cigarro] provocavam o aumento do número das células TH17 e a piora da doença", diz Talbot.
Louzada Junior explica que o receptor da célula TH17 se danifica com a fumaça porque é sensível ao hidrocarboneto arila.
"Esse receptor elimina poluentes dentro do corpo. Só que, se tiver essa alteração genética, o sistema pode estimular a célula do sistema de defesa a causar a doença."
FATOR AGRAVANTE
Para o reumatologista José Goldemberg, da Unifesp, conhecer esse mecanismo possibilita tratar o problema com conhecimento científico. "Sem a "achometria", que é a medida do achismo."
Segundo Ari Halpern, reumatologista do hospital Albert Einstein, muitos estudos têm demonstrado relação entre o cigarro e a artrite e, entre os fatores que alteram o prognóstico da doença, o fumo é um dos mais importantes.
FONTE: FOLHA ONLINE

sexta-feira, 4 de março de 2011

Anti-inflamatório reduz risco de mal de Parkinson

Pessoas que tomam ibuprofeno, um remédio usado para aliviar dores, de duas a três vezes por semana têm 40% menos risco de ter mal de Parkinson.
A conclusão é de um estudo publicado no periódico "Neurology", feito com mais de 135 mil homens e mulheres e custeado pela Fundação Michael J Fox.
O trabalho envolveu pesquisadores da Harvard School of Public Health e do Research and Development at Parkinson's, no Reino Unido.
Já se suspeitava que os anti-inflamatórios poderiam ajudar a proteger contra o mal de Parkinson, mas ainda não estava claro qual remédio tinha esse benefício.
Os pesquisadores disseram que é difícil saber exatamente qual é o efeito do medicamento na morte de neurônios e como ele poderia afetar a ocorrência da doença, mas suspeita-se que o ibupofreno consegue bloquear o mecanismo de destruição dos neurônios e sua morte.
Eles afirmam também saber que mudanças inflamatórias no cérebro podem estar envolvidas na morte de células do cérebro, o que causa o mal de Parkinson.
No entanto, uma pesquisa recente, publicada no "British Medical Journal", ligou o uso diário e prolongado de ibuprofeno a um risco maior de infarto e derrame.
Por isso, especialistas dizem que ainda é cedo para recomendar o medicamento para proteger contra o mal de Parkinson por causa de seus possíveis efeitos colaterais, como sangramento gastrointestinal, e do risco de causar outras doenças. FOLHA ONLINE

quinta-feira, 3 de março de 2011

Relatório da ONU defende uso médico de emagrecedores

Relatório divulgado ontem pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes recomenda a restrição e o controle dos inibidores de apetite, mas defende o uso desses remédios em tratamentos médicos.O documento vem em momento polêmico, quando a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) estuda proibir a venda dos anorexígenos, que incluem a sibutramina e três derivados de anfetamina (anfepramona, femproporex e mazindol).O relatório elaborado pela Jife (Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes) incentiva o Brasil a continuar adotando "todas as medidas necessárias para que os anorexígenos sejam utilizados unicamente para fins médicos, bem como para impedir que sejam utilizados de forma indevida e receitados indiscriminadamente"."Por um lado, reconhece-se a necessidade de haver certos produtos no mercado para tratar problemas de saúde. Por outro lado, [há] a necessidade de controlar o acesso para assegurar que esses produtos sejam usados apenas por quem realmente precisa", disse Bo Mathiasen, representante para o Brasil do escritório da ONU .Mathiasen, no entanto, afirmou que cada país é "soberano" para decidir sobre o acesso a anorexígenos.O veto a inibidores de apetite tem gerado controvérsia na classe médica brasileira.O endocrinologista Walmir Coutinho defende a manutenção dos remédios no mercado. "O abuso dos anorexígenos tem de ser combatido de forma mais eficiente para que os pacientes que precisam do medicamento não sejam penalizados."Para Rosana Radominski, presidente da Abeso (associação de estudo da obesidade), os remédios devem ser usados de forma responsável. "Eles têm seu papel dentro do tratamento." ANALGÉSICOSO relatório aponta grande aumento no uso de analgésicos, principalmente na América do Norte e na Europa.O consumo mundial de morfina cresceu quase sete vezes de 1989 a 2009.Fonte: FOLHA DE SÃO PAULO – SP

quarta-feira, 2 de março de 2011

Alimentos ajudam contra o câncer

Comer bem é o segredo para combater os efeitos colaterais dos tratamentos contra o câncer, tais como náusea, diarreia e boca seca. Para os médicos, é preciso desmistificar a ideia de que a refeição adequada, nesses casos, é a sopinha de hospital. Para isso, foi lançado ontem o livro Comida que Cuida Câncer, editado pelo laboratório Sanofi-Aventis e distribuído gratuitamente via internet.
Epitacio Pessoa/AE
Segundo pesquisa, gengibre é um dos alimentos que combatem efeitos colaterais
Gengibre, menta, salmão e até gomas de mascar são alguns ingredientes apresentados na obra, que reúne dicas dietéticas fundamentais para pacientes oncológicos. "Existem muitas superstições sobre a alimentação de pacientes oncológicos", afirma Ricardo Caponero, oncologista da Clínica de Oncologia Médica e do hospital Israelita Albert Einstein, que foi consultor da publicação.
Coordenadora médica do setor de Oncologia Clínica do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), Maria Del Pilar Estevez diz é preciso deixar as restrições de lado. "A cultura geral fala em muitas proibições, mas não existem alimentos proibidos. Na verdade, existem apenas alimentos que podem não ser bem tolerados durante os tratamentos", afirma Maria. "O ideal não é a sopa, sem sal e sem gosto. O paciente precisa de sabor", completa.
Diminuição do peso
Evitar a diminuição do peso do paciente durante o tratamento é um dos desafios dietéticos para os médicos. "O principal obstáculo para a terapia nutricional é a aceitação alimentar do paciente oncológico", explica a coordenadora do setor de Nutrição e Dietética do Icesp, Thais Cardenas.
Cerca de um terço dos pacientes oncológicos apresenta efeitos colaterais relacionados aos tratamentos de quimioterapia, radioterapia e imunoterapia. "O paladar e o olfato costumam ser afetados", observa Caponero. "Não podemos obrigar um paciente a comer. Mas nós temos de ajudá-lo com a readaptação do cardápio", completa o oncologista.
De acordo com a presidente da Associação Brasileira de Nutrição, Márcia Fidelix, "as reservas calóricas são fundamentais no tratamento, quando o organismo do paciente estará mais debilitado".
Entre os alimentos sugeridos estão os que contêm substâncias imunonutrientes, ou seja, que estimulam a resposta imunológica, as defesas do corpo, durante os tratamentos médicos. "O câncer é um processo inflamatório. O ômega 3 presente em peixes, como salmão, atum, cavalinha, age nesse processo", exemplifica Thais.
Além do ômega 3, os especialistas recomendam o ômega 6, a glutamina (presente em carnes, ovos derivados do leite e soja), arginina (carnes, ovos, leite, queijos e grãos) e as vitaminas A, E, C e B6. "É necessário, porém, individualizar a dieta em cada tratamento", indica Maria.
Diversos tipos da doença são ligados à alimentação
O desenvolvimento do câncer de mama, cólon (intestino grosso) reto, próstata, esôfago e estômago está associado a alimentação, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA).
Entre os alimentos citados como vilões - caso consumidos em grande quantidade e por um longo tempo - estão as gorduras, carnes vermelhas, frituras, molhos com maionese, leite integral e derivados, bacon, presuntos, salsichas, linguiças, mortadelas, etc.
Também existem os alimentos com alto índice de agentes cancerígenos, como os nitritos e nitratos usados para conservar alguns picles, salsichas e outros embutidos e alguns tipos de enlatados.
Os alimentos preservados em sal, como carne de sol, charque e peixes salgados, também estão relacionados ao desenvolvimento de câncer de estômago.
Já os defumados e churrascos apresentam alcatrão proveniente da fumaça do carvão - mesma substância presente na fumaça do cigarro e que tem ação carcinogênica conhecida. FONTE: ESTADÃO ONLINE

terça-feira, 1 de março de 2011

Droga contra stress cura calvície em camundongos

Desafio de pesquisadores é testar substância em seres humanos.
Há muitas causas para a calvície, de fatores genéticos a ambientais, na maioria das vezes irreversíveis. Mas uma nova pesquisa traz esperança para quem sofre com a queda de cabelos causada por stress. Estudando os efeitos da condição em um grupo de camundongos, um grupo de pesquisadores americanos descobriu uma droga capaz de recuperar os pelos dos roedores.
O estudo, publicado nesta quarta-feira no periódico científico americano PLOS One, usou camundongos geneticamente modificados para produzir em excesso um tipo de hormônio associado ao stress. À medida que os animais envelheciam, o pelo deles se tornava grisalho e passava a cair.
Os pesquisadores, então, injetaram nos camundongos uma droga chamada astressin-B, que bloqueia a ação do hormônio liberador de corticotrofina, que desencadeia o processo de stress. Os animais receberam a droga continuamente por cinco dias. Três meses depois, já haviam recuperado todos os pelos.
“Quase 100% dos camundongos responderam ao tratamento”, disse o pesquisador Million Mulugeta, da Universidade da Califórnia em Los Angeles. “Os pelos voltaram a crescer plenamente.”
O efeito durou por mais quatro meses, período relativamente longo, segundo Mulugeta. Além disso, o tratamento preveniu a queda de pelos. Testada em camundongos mais jovens que não haviam perdido seus pelos, a astressin-B evitou que ficassem carecas.
Estudos posteriores confirmaram os resultados da pesquisa. Ainda não se sabe se a droga terá o mesmo efeito em seres humanos. Mulugeta acredita que sim, uma vez que o homem também possui receptores do hormônio liberador de corticotrofina na pele.
FONTE: VEJA ONLINE