terça-feira, 31 de maio de 2011

Um em cada cinco jovens tem pressão alta, aponta pesquisa

Pesquisa americana mostra que números atuais podem estar subestimados
hipertensão (pressão arterial alta) é, em geral, uma doença que não apresenta sintomas até ocorrer uma lesão em algum órgão. Por isso, mesmo com uma prevenção simples, baseada na prática regular de exercícios, dieta e medicamentos de controle, a pressão arterial elevada é muitas vezes fatal - trata-se da segunda principal causa de morte nos Estados Unidos, por exemplo. E, agora, uma nova pesquisa americanda indica que o problema é muito maior do que se pensava entre a população jovem: um em cada cinco jovens adultos entre 24 e 32 anos de idade teria pressão alta.Uma equipe de pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill comparou seus resultados com uma publicação do governo federal, feita pelo National Health and Nutrition Examination Survey, que apontou apenas 4% dos adultos jovens com pressão alta. Segundo a Universidade da Carolina do Norte, o número chega a 19% dos pacientes - somente a metade sabia da doença por médicos.Ambos os resultados foram definidos sob os mesmo parâmetros: uma leitura de pressão arterial de 140 por 90 milímetros de mercúrio ou mais. A pressão arterial normal é considerada 120 por 80 ou inferior. Contudo, ninguém explica a diferença das estimativas de hipertensão entre os dois levantamentos."As descobertas indicam que muitos jovens correm o risco de desenvolver doenças cardíacas, mas não sabem que têm hipertensão", disse Quynh Nguyen, um estudante de doutorado na University da Carolina do Norte em Chapel Hill, cujo estudo aparece em linha na revista Epidemiology. A relação entre pressão arterial alterada e consumo de sódio, principal causador do problema, não foi estudada pelos pesquisadores.O Instituto de Medicina, por meio da Academia Nacional das Ciências, declarou, no ano passado, que a pressão arterial - condição que aumenta o risco de derrames e ataques cardíacos - é uma "doença negligenciada", que custa aos cofres americanos cerca de 73 bilhões de dólares por ano.O estudo da Universidade de North Carolina analisou, em 2008, mais de 14 mil homens e mulheres, entre 24 e 32 anos, a partir do Estudo Nacional Longitudinal de Saúde do Adolescente, conhecido como Add Health, financiada pelo National Institutes of Health. "O que temos é uma observação nova e precisamos examinar as contradições dos números. O estudo não muda a revisão da política e avaliação de saúde. Ele é apenas um sinal de que precisamos analisar com mais detalhes os dados", diz Steven Hirschfeld, médico do Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano.
FONTE: VEJA ONLINE

terça-feira, 24 de maio de 2011

Incidência de enfarte cai em homens e sobe em mulheres

Pesquisa do HCor mostra que o número geral de enfartados entre seus pacientes caiu 12% de 2009 para 2010, mas a população feminina está na contramão dessa tendência: entre elas houve aumento de 3,8% nos casos da doença
O coração feminino é mais frágil que o do homens. E não se trata de romantismo. Pesquisa inédita do Hospital do Coração (HCor) de São Paulo mostra que o número de enfartes entre mulheres cresceu 3,8% de 2009 para 2010, enquanto houve queda de 17% no sexo masculino no mesmo período e de 12% na média geral. O fenômeno é multifatorial, dizem os médicos.
Homens resistem mais do que elas a problemas como diabete, hipertensão e obesidade, por exemplo, fatores de risco cardiovascular para ambos os sexos. Além disso, há ameaças exclusivamente femininas, como o uso da pílula anticoncepcional aliado ao tabaco, além de peculiaridades orgânicas, como o fato de a mulher ter artérias mais finas e sensíveis. Mas não é só.
Referência em saúde do coração, a American Heart Association (AHA) definiu neste ano novos fatores de risco para a saúde cardiovascular das mulheres. Doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide, complicações na gravidez - hipertensão e diabete gestacional - e depressão foram incluídas entre as ameaças para o sexo feminino.
Os médicos lembram também que, na mulher, quadros de enfarte costumam ser confundidos com outros problemas de saúde. "Os sintomas, na mulher, são mais silenciosos", explica o cardiologista do HCor, César Jardim. "São associados à falta de ar, mal estar, desconforto e dores no estômago."
Não foi a clássica dor no peito que levou a dona de casa Valéria Alves de Oliveira, 44 anos, ao cardiologista. Uma forte dor no ombro esquerdo, confundida por ela com problemas de coluna, foi o sinal do problema cardiovascular. "Nunca pensei que pudesse ser um enfarte", diz Valéria. Apesar da surpresa, seu histórico carregava naquele momento vários fatores de risco: era diabética, fumante e sedentária (leia mais ao lado).
Na pesquisa do Hcor foram avaliados 201 pacientes enfartados em 2010, ante 228 em 2009. De acordo com Jardim, outro problema com relação à população feminina é a falta de atendimento adequado no pronto-socorro, já que os socorristas, segundo ele, suspeitam mais de enfarte em homens que em mulheres.
Chefe do laboratório de Biologia Molecular do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, órgão da Secretaria de Estado da Saúde (SES), Marcelo Ferraz Sampaio concorda. "Muitas vão para casa sem diagnóstico correto. Há um certo preconceito (no atendimento) e diferenças culturais importantes, pois a mulher demora mais para procurar ajuda", diz. "Ela cuida dos afazeres primeiro e, depois, pensa em ir ao médico."
A própria natureza joga contra a mulher em relação às doenças cardiovasculares, a começar pelas artérias. "São mais estreitas e menos tolerantes ao álcool e ao cigarro, por exemplo", alerta Abrão José Cury, supervisor de Clínica Médica da Unifesp.
"Síndromes metabólicas, como obesidade, colesterol ruim, diabete e triglicérides elevados, afetam muito mais a mulher que o homem", completa o diretor da Sociedade de Cardiologia de São Paulo, Pedro Sílvio Farsky. Após a menopausa, quando a mulher perde estrogênio (hormônio feminino), fator de proteção cardiovascular, o risco cresce ainda mais.
Dor no braço: um aviso que costuma ser ignorado
A dor forte que ia do ombro esquerdo às pontas dos dedos era algo diferente de tudo que Valéria Alves de Oliveira já havia sentido em 39 anos de vida. "Nunca pensei que pudesse ser um enfarte."
Hoje, aos 44, cinco anos após ter feito um cateterismo, passado por uma angioplastia e ganhado uma hipertensão, Valéria mudou seus hábitos alimentares e de vida. "Quando você pensa que tem pessoas que podem ficar sem você, passa a ter medo", diz, referindo principalmente aos filhos, na época com 3 e 11 anos.
Embora o vício tenha sido abandonado, a alimentação esteja mais saudável e a ioga e caminhada tenham sido incorporadas à sua rotina, Valéria ainda sente medo de passar por tudo novamente. "A dor foi inesquecível."
A aposentada Esther Lopes, de 77 anos, também não esquece a dor forte que sentiu no braço esquerdo durante uma noite inteira em 2008. Quando chegou ao hospital, na manhã seguinte, ela se assustou ao ouvir o médico dizer: "a senhora está enfartando".
"Meu marido gritava de dor no peito nas três vezes em que teve enfarte. Eu achava que para ter enfarte ia ser igual", conta, relembrando os apuros que passou para socorrê-lo. "Pensei que não ia mais ver meus filhos e netos."
O susto maior foi saber que, em seu caso, a doença estava "camuflada" e que havia tido um enfarte antes, sem saber. Com um stent (aparelho para desobstruir artérias) e sem abusar dos doces, Esther está mais atenta. "Na primeira vez eu escapei, na segunda fui parar na UTI, mas se não tomar cuidado, não escapo da terceira." / Verônica Dantas
Amamentar ajuda a proteger o coração materno
Amamentar por pelo menos um ano pode reduzir em 13% o risco de enfarte, segundo estudo do American Journal of Obstetrics & Gynecology. De acordo com a publicação, essa proteção pode chegar a 37% quando o tempo de aleitamento, consideradas todas as gestações, ultrapassa dois anos. O benefício foi observado em mulheres cujo último filho havia nascido até 30 anos antes.
A pesquisa, que avaliou 89.326 mulheres, todas mães, trouxe a primeira evidência de que o tempo acumulado de amamentação pode influenciar a saúde cardiovascular no longo prazo. Dessas mulheres, 63% já haviam amamentado.
Os pesquisadores levaram em consideração fatores como idade, número de partos, peso, história familiar, dieta e sedentarismo. Uma das hipóteses levantadas pelos especialistas é a de que a amamentação tenha um efeito antiestresse de longa duração, por conta da produção do hormônio oxitocina, que melhora a resposta ao estresse.
A mãe que amamenta também tem mais facilidade de recuperar o perfil metabólico que tinha antes da gravidez. Isso porque, durante a gestação, a quantidade de gordura visceral, a resistência à insulina e os níveis de lipídios e triglicérides aumentam, sobrecarregando o sistema cardiovascular da mãe.
MAIS FATORES DE RISCO
Referência mundial em saúde do coração, a American Heart Association (AHA) divulgou neste ano novas diretrizes para medir riscos cardiovasculares e apontou as mulheres como público mais vulnerável às doenças do coração. Entre os fatores estão:
Doenças autoimunes: como lúpus e artrite reumatoide
Complicações na gravidez: sobretudo a diabete gestacional e quadros hipertensivos no período
Fator psiquiátrico: depressão
CORAÇÃO SAUDÁVEL
O Hospital do Coração preparou uma lista de indicadores para uma boa saúde cardíaca
Colesterol abaixo de 200mg/dL
Pressão sanguínea menor que 120/80 mm Hg
Glicose menor que 100 mg/gL
Índice de massa corpórea abaixo de 25, ou seja, fora das faixas de sobrepeso e obesidade
Não fumar
Praticar, semanalmente, no mínimo 150 minutos de exercícios moderados (caminhada, por exemplo) ou 75 minutos de exercícios de alta intensidade
(como a corrida)
Cuidar da alimentação, priorizando o consumo de fibras e controlando a ingestão de gorduras saturadas e sódio
FONTE: ESTADÃO ONLINE

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Viagra ajuda a combater sintomas da esclerose múltipla

Estudo espanhol apresentou recuperação quase completa em 50% dos casos observados
SÃO PAULO - Pesquisadores da Universidade Autônoma de Barcelona (UAB) divulgaram um estudo que mostra os efeitos positivos da administração de Viagra em animais com esclerose múltipla. Os resultados desta pesquisa foram publicados na revista Acta Neuropathologica.
Divulgação
Pesquisadores administraram Viagra durante oito dias em animais com esclerose múltipla
De acordo com o estudo de dois grupos, liderados pela Dr. Agustina García e pelo Dr. Juan Hidalgo, ambos da UAB, foram observadas recuperações quase completa em 50% dos casos após tratamento de apenas oito dias. Como o medicamento já é comercializado e bem tolerado, os pesquisadores acreditam que testes com seres humanos serão autorizados em breve.
A esclerose múltipla não tem cura, mas alguns medicamentos já se mostraram eficientes no combate de alguns sintomas e para prevenir a progressão do problema, que é o tipo de doença inflamatória crônica mais comum do sistema nervoso central e uma das principais causas de invalidez em adultos. Ela é causada pela presença de focos múltiplos de desmielinização (que resulta na perda da bainha da mielina em torno dos axônios e afeta a capacidade dos neurônios de se comunicarem) e pela neurodegeneração em diferentes áreas do sistema nervoso central.
Os pesquisadores estudaram os efeitos do sildenafil, que é vendido como Viagra, em animais que apresentavam um tipo de esclerose múltipla conhecida como encefalomielite autoimune experimental (EAE). Eles observaram como o remédio reduziu a infiltração de células inflamatórias na massa branca da medula espinal e por consequência nos danos no axônio da célula nervosa, facilitando a reparação da mielina.
O Sidenafil faz parte de um grupo de medicamentos conhecidos como vasodilatadores e usados nos tratamentos de disfunção erétil e hipertensão arterial pulmonar. Estudos anteriores sobre doenças no sistema nervoso central de animais já mostraram que, além da vasodilatação, este tipo de medicamento pode apresentar ações neuroprotetoras.
FONTE: ESTADÃO ONLINE

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Cientistas descobrem suplemento dietético que previne pré-eclâmpsia

Tomar um suplemento dietético rico em aminoácidos e vitaminas antioxidantes durante a gravidez pode reduzir o risco de pré-eclâmpsia entre as mulheres, uma complicação médica da gestação associada à hipertensão.
Segundo publicação na última edição da revista "British Medical Journal", a doença está ligada a uma deficiência de L-Arginina, um aminoácido que ajuda a melhorar o fluxo sanguíneo durante a gravidez.
A pré-eclâmpsia é uma complicação séria que provoca o aumento da pressão no sangue durante a gestação, que pode afetar tanto a mãe como o feto, e que é registrada em aproximadamente 5% das mulheres grávidas pela primeira vez.
Um grupo de pesquisadores do México e Estados Unidos testaram a teoria de que uma combinação de L-Arginina e antioxidantes previne o desenvolvimento do problema em mulheres com alto risco de adquiri-lo.
Participaram do estudo 672 mulheres grávidas de cinco meses, divididas ao acaso em três grupos diferentes.
O primeiro deles recebeu diariamente uma dose de L-Arginina e vitaminas antioxidantes, enquanto ao segundo foram oferecidas apenas vitaminas. O terceiro recebeu um placebo.
Ao final do experimento, a doença foi desenvolvida por 30,2% das mulheres do grupo que recebeu o placebo e 22,5% das mulheres que só receberam vitaminas.
Já entre as grávidas que tomaram L-Arginina, apenas 12,7% sofreram a complicação.
A equipe de cientistas concluiu então que as mulheres tratadas com L-Arginina e vitaminas estavam menos propensas a desenvolver pré-eclâmpsia em comparação ao grupo que tomou placebo, e que a ingestão de vitaminas, por si só, não reduz de maneira conclusiva os efeitos da doença.
O estudo também mostrou que a L-Arginina e as vitaminas permitem reduzir o risco de parto prematuro.
"Trata-se de um tratamento de baixo custo que pode ajudar a reduzir o risco de sofrer pré-eclâmpsia e evitar os nascimentos prematuros associados a essa complicação", afirmaram os autores da pesquisa.
No entanto, em um editorial que acompanha o estudo, dois especialistas destacam que ainda resta um longo caminho a ser percorrido na investigação dos efeitos da L-Arginina.
Ainda há dúvidas sobre como essa substância se complementa com as vitaminas, quais são os potenciais efeitos negativos da L-Arginina, e como outros grupos da população reagem à substância.
FONTE: FOLHA ONLINE

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Psoríase na infância é sinal de perigo ao coração

Tratada como problema de pele, doença eleva risco de males metabólicos - e é agravada pela obesidade.

Crianças com sobrepeso ou obesas têm até 80% mais chances de desenvolver psoríase, uma doença crônica, inflamatória e não contagiosa da pele. Independente do peso, no entanto, jovens diagnosticados com psoríase apresentam índices de colesterol elevados, um dos fatores de risco para doenças cardiovasculares. Devido a essa relação entre peso, psoríase, colesterol e problemas cardiovasculares, uma pesquisa publicada no Journal of Pediatrics defende uma revisão na maneira como esses problemas são tratados. O risco de doenças cardíacas em pacientes com psoríase, por exemplo, começam na infância e, por isso, deveriam ser combatidos a partir dos primeiros sinais de elevação do colesterol.
“Isso significa que teremos de monitorar mais de perto os jovens com psoríase com o objetivo de evitar possíveis doenças cardíacas, especialmente se eles forem obesos”, diz Corinna Koebnick, coordenadora do estudo e pesquisadora do instituto Kaiser Permanente, na Califórnia. Segundo a especialista, ainda se sabe muito pouco sobre a psoríase em crianças, e a doença é frequentemente tratada como um problema de pele e não uma doença metabólica.
Para chegar aos resultados, os pesquisadores analisaram dados de 710.949 crianças de diferentes etnias. Eles descobriram, então, que as chances de desenvolvimento de psoríase crescem 40% entre as obesas e quase 80% entre aquelas que sofrem de obesidade mórbida. Nos dois casos, a psoríase se mostrou quatro vezes mais severa ou mais disseminada pelo corpo do que entre crianças com peso adequado.
Os jovens diagnosticados com psoríase apresentaram ainda níveis de colesterol e de enzimas do fígado de 4% a 16% mais altos, a despeito do peso. “A psoríase pode levar a criança a desenvolver doenças metabólicas, como ocorre em adultos. Estudos como este são importantes para aprendermos qual a melhor forma de fazer os tratamentos primários nessas crianças", diz Amy Porter, coautora do estudo e pediatra do instituto Kaiser Permanente.
Adultos – Estudos epidemiológicos anteriores já haviam apontado que pacientes adultos com psoríase correm mais riscos de desenvolver problemas metabólicos, como diabetes, além de hipertensão, ataques cardíacos e derrame cerebral. Nos adultos, a obesidade foi ainda relacionada a riscos mais elevados de desenvolver a psoríase. A obesidade, assim como a psoríase, tem relação com um aumento nos riscos de problemas cardiovasculares, síndrome metabólica e diabetes. “As duas condições, a síndrome metabólica e a psoríase, são caracterizadas por inflamações crônicas leves”, diz Corinna Koebnick.
FONTE: VEJA ONLINE