terça-feira, 7 de junho de 2011

Novas drogas contra melanoma aumentam sobrevida de pacientes

Duas novas drogas com princípios científicos diferentes podem aumentar a sobrevivência entre pacientes com o tipo mais mortal de câncer de pele.
Pacientes com melanoma avançado tomando uma pílula ainda experimental, a vemurafenib, da Roche e da Daiichi Sankyo, tiveram 63% menos risco de morrer do que os que tomaram quimioterapia, de acordo com um novo teste apresentado neste domingo (5) no congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, em Chicago (EUA).
O líder do estudo, o médico Paul Chapman, do Centro de Câncer Memorial Sloan-Kettering, em Nova York, afirmou que o resultado deu uma diferença grande para os pacientes com melanoma avançado, que geralmente sobrevivem só oito meses com os tratamentos atuais.
Outro estudo apresentado no congresso mostrou que pacientes com melanoma avançado, sem tratamento anterior, que tomaram o medicamento ipilimumab, da Bristol-Myers Squibb, mais quimioterapia, viveram dois meses mais do que quem fez só químio.
O medicamento, chamado de Yervoy, estimula o sistema imune a lutar contra o câncer.
Já o vemurafenib, da Roche, foi feito para pacientes com tumores que têm uma mutação em um gene conhecido como Braf, que permite que as células do melanoma cresçam. Cerca de metade dos melanomas têm essa mutação.
O teste da Roche foi feito com 675 pacientes com melanoma avançado com a mutação genética e que não poderia ser operado.Após cerca de três meses do tratamento, os pacientes tratados com a nova droga tiveram 74% menos risco de avanço do câncer do que os tratados com a droga dacarbazine.
"É uma diferença enorme", afirmou o oncologista Antoni Ribas, da Universidade da Califórnia, líder do estudo com o vemurafenib.
Quase metade dos pacientes tratados com o remédio tiveram redução do tumor, em relação a 5,5% dos pacientes tratados com químio.
Os efeitos colaterais incluíram irritações na pele e dor nas articulações. Cerca de 18% dos pacientes tiveram tumores de pele.
A farmacêutica Roche aposta que as agências reguladores de remédios dos EUA e da Europa vão aprovar a droga até o fim do ano.
O remédio Yervoy, da Bristol-Myers, foi aprovado em março para pacientes com melanoma com metástase e sem chance de cirurgia, com base em um estudo anterior que mostrou que a droga aumentava em quatro meses a sobrevivência dos pacientes que já haviam tentado outros tratamentos.
"O interessante do estudo não foi só que ele foi o segundo a mostrar benefício, mas que a melhora aconteceu mesmo na presença da quimioterapia", afirmou o médico Jedd Wolchok, do Centro de Câncer Memorial Sloan-Kettering, que apresentou o estudo no congresso.
Médicos dizem que os dois estudos juntos oferecem novas opções para os pacientes."Temos duas novas abordagens para tratar o melanoma avançado", afirmou a médica Lynn Schuchter, da Universidade da Pennsylvania, especialista em melanoma, que participou de um debate sobre as drogas.
"Quando entendemos o que está alimentando a doença, conseguimos desenvolver terapias mais eficazes", afirmou.Ela espera que o vemurafenib seja aprovado neste ano. Enquanto isso, os médicos já estão montando estratégias de tratamento.
Para pacientes com tumores estáveis de crescimento lento, Chapman afirma que começaria com o ipilimumab."Essa droga pode levar um tempo para funcionar, então, se a pessoa tem tempo, eu preferiria dar a ele duas chancer em vez de uma."
Para pacientes em estado avançado de câncer, que precisem de uma resposta rápida, ele usaria vemurafenib primeiro.Schuchter disse que o futuro do tratamento será construído em cima desses resultados e na combinação de terapias.
"As células de câncer nos ludibriam, elas são brilhantes e conseguem descobrir novos caminhos", afirmou.A Bristol-Myers e a Roche anunciaram no início da semana passada uma parceria para avaliar a combinação entre o ipilimumab e o vemurafenib como tratamento para melanoma com metástase.
FONTE: FOLHA ONLINE

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Pesquisadores estudam possível contraceptivo masculino sem esteroides

SÃO PAULO - Pesquisadores da Universidade Médica de Columbia estão envolvidos em uma pesquisa que pode resultar no primeiro medicamento contraceptivo masculino sem esteroides. O resultado dos testes prévios em camundongos foram publicados na revista científica Endocrinology.
De acordo com o estudo, um composto interrompeu a associação do ácido retinóico, ligado a dieta de vitamina A, com o receptor deste ácido, o que causou esterilidade nos animais parando a produção de espermatozoide. A fertilidade foi restaurada com o fim da administração do composto.
O estudo é um avanço na área, porque os métodos conhecidos que usam esteroides causam efeitos colaterais indesejáveis, como o risco de desenvolver doenças cardiovasculares e a diminuição da libido, por exemplo.
Mas os resultados ainda precisam passar por revisão, é preciso provar que a administração do medicamento por um longo período realmente não produz efeitos colaterais. Os pesquisadores já estudam uma pesquisa a longo prazo com seres humanos também para saber exatamente como o comporto interfere na fertilidade e se ela é totalmente recuperado com a interrupção do tratamento.
FONTE: ESTADÃO ONLINE

Meninas atrasam menstruação para ficar mais altas

As meninas estão menstruando cada vez mais cedo e têm cada vez mais informações sobre o assunto.
"Para mim, o tratamento foi bom; ia ficar pequena demais"
Entre elas, a de que não poderão crescer muito mais depois da primeira menstruação e que adiá-la seria uma forma de ficar mais altas.
"Existem protocolos para retardar a menarca. O problema é que as adolescentes ou as suas famílias estão querendo adiar a primeira menstruação por uma questão estética", diz a ginecologista Albertina Duarte.
Coordenadora do Programa de Saúde do Adolescente da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, Duarte diz que tem sido procurada por escolas para falar sobre o assunto.
Segundo ela, muitas meninas buscam informações na internet e tomam medicação sem o conhecimento dos pais.
ABUSO DE HORMÔNIO
Há formas naturais de retardar a menarca, como praticar exercícios intensos, ter uma alimentação pouco calórica e dormir direito.
Outras maneiras envolvem o uso de medicamentos, como progesterona, para impedir a ovulação, ou bloqueadores de gonadotrofina, responsável por disparar a fabricação de hormônios sexuais.
"Hoje, há um abuso de medicamentos à base de progesterona [para adiar a menstruação]", diz Duarte.
Não há garantia de resultados, afirma Teresa Cristina Vieira, endocrinologista pediátrica do Hospital Sabará.
"Pode estar na moda, mas não serve para nada. Se a puberdade não for precoce, retardar a menstruação não aumenta a estatura final."
A puberdade é considerada precoce quando chega antes dos oito anos.
Hoje, por vários motivos ainda discutidos pelos médicos (obesidade infantil, por exemplo), a primeira menstruação chega mais cedo.
"Era, em média, aos 13 anos, hoje passou para os 11. Em algumas meninas, valeria a pena retardar a menarca e ganhar alguns centímetros, mas é exceção", diz a ginecologista Denise Coimbra.
Para o ginecologista Elsimar Coutinho, autor de "Menstruação, a Sangria Inútil" (ed. Gente), o tratamento vale a pena. "Se a menina ganhar dez centímetros na vida, é uma vantagem grande."
Para esses casos, ele usa um anticoncepcional implantável, de progesterona. O hormônio começa a ser usado quando surgem sinais da puberdade ""brotos mamários e pelos pubianos.
"A ideia é adiar a menstruação até os 14 anos. Eu faço muito isso com minhas pacientes. Principalmente filhas de médicos, porque eles sabem que isso é bom."
Albertina Duarte lembra que se a idade óssea da menina (que pode ser identificada por um raio-X do pulso) já está avançada, nenhum remédio faz crescer.
"Isso pode gerar decepção e depressão. Sem contar que os próprios hormônios do tratamento podem levar a alterações do humor."
FONTE: FOLHA ONLINE

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Bactéria resistente a antibióticos é detectada em humanos e vacas

LONDRES - Um grupo de cientistas detectou em humanos e vacas uma nova cepa de bactérias Staphylococcus aureus resistente aos antibióticos do grupo da penicilina, publicou a revista Lancet Infectious Diseases.
CDC/Divulgação
Staphylococcus aureus
A epidemiologista veterinária espanhola Laura García-Álvarez, pesquisadora associada do Imperial College de Londres, identificou várias mostras de bactérias que apresentavam resistência aos antibióticos e que os testes habituais não detectavam. A pesquisadora fez a descoberta enquanto preparava sua tese de doutorado na Universidade de Cambridge.
A nova cepa de Staphylococcus aureus resistente à Meticilina (MRSA, na sigla em inglês), contém um gene chamado mecA, responsável pela resistência aos antibióticos, que só tem 60% de nível de semelhança daqueles que compartilham 99% das MRSA conhecidas. Por isso que a nova cepa passava despercebida nos exames clínicos, informou Laura.
Após identificar 13 amostras da bactéria, denominada LGA251, em leite de vaca, os pesquisadores detectaram 50 casos em humanos no Reino Unido e na Dinamarca em 2010, e atualmente estão desenvolvendo os primeiros testes em outros países europeus como Portugal, Alemanha e Holanda.
"A primeira bactéria deste tipo procede de uma mostra de 1975, portanto, leva pelo menos 36 anos circulando, mas não a detectamos até agora porque não tínhamos as ferramentas necessárias", explicou.
O professor de medicina veterinária preventiva da Universidade de Cambridge Mark Holmes, que dirigiu a pesquisa, afirmou que a bactéria tem uma ampla distribuição geográfica, mas que sua incidência em números absolutos é muito baixa, embora não tenha descartado um aumento dos casos nos próximos anos quando se estenderem os novos testes clínicos para detectá-la.
Os cientistas ainda não determinaram se foi a bactéria de origem bovina que passou para os humanos, ou o contrário, mas, em todo caso, afirmaram que o consumo de leite de vaca não representa nenhum risco de contágio, dado que o processo de pasteurização elimina totalmente a Staphylococcus aureus.
Calcula-se que um terço das pessoas tem em seu organismo bactérias resistentes aos antibióticos, principalmente na pele e nas fossas nasais, embora as complicações médicas associadas às MRSA costumem ocorrer em pacientes hospitaleiros submetidos a alguma intervenção cirúrgica.
Em pacientes com um sistema imunológico debilitado, essas bactérias podem causar desde problemas cutâneos até infecções sanguíneas.
As Staphylococcus aureus são as principais responsáveis pelas infecções hospitalares, e causam problemas médicos a 2% dos pacientes internados em uma clínica no Reino Unido, segundo os dados do Wellcome Truste Sanger Institue, que participou da análise genética do microorganismo.
Nos países industrializados, as bactérias estão aumentando sua resistência aos antibióticos nos últimos anos, e calcula-se que entre 40% e 60% deles deixaram de responder as tratamentos com os antibióticos mais comuns.
FONTE: ESTADÃO ONLINE

quinta-feira, 2 de junho de 2011

EUA avaliam risco de trombose por uso de anticoncepcional

A FDA (agência que regula remédios e alimentos nos EUA) está revisando os resultados de dois estudos que mostraram que existe um risco maior de formação de coágulos sanguíneos em mulheres que tomam anticoncepcional contendo o hormônio drospirenona.
Risco de trombose é duas vezes maior com nova pílulaBayer enfrenta julgamento nos EUA por anticoncepcional
As pílulas mais vendidas pelo grupo farmacêutico alemão Bayer, YAZ e Yasmin, contêm a substância. Ambas são vendidas no Brasil.
A agência reguladora disse que está avaliando os resultados contraditórios de estudos anteriores e analisando os riscos e benefícios de contraceptivos que contêm o hormônio.
Em abril, dois estudos publicados no "British Medical Journal" indicaram que medicamentos como YAZ e Yasmin duplicam ou triplicam o risco de coágulos sanguíneos graves em relação aos anticoncepcionais orais de gerações anteriores.
No começo de maio, foi noticiado que a Bayer enfrenta uma ação nos EUA pela morte de uma adolescente por um coágulo supostamente vinculado ao anticoncepcional YAZ.
OUTRO LADO
Em nota enviada à Folha, a Bayer informou que "a FDA observou que as pacientes não devem parar de tomar contraceptivos orais contendo drospirenona sem primeiro falar com seu profissional de saúde".
A empresa também afirmou que o risco de tromboembolismo venoso em mulheres que usam contraceptivos orais contendo drospirenona é comparável ao observado em relação às demais pílulas de controle de natalidade estudadas.
"A análise que a Bayer faz do material de evidências científicas disponíveis em relação à drospirenona continua a apoiar a sua avaliação atual sobre a segurança dos seus contraceptivos orais. Essa avaliação é corroborada por descobertas clínicas consistentes ao longo de um período de 15 anos e pelos resultados de estudos de até dez anos de pós-comercialização que sustentam que o risco de tromboembolismo venoso é comparável com qualquer contraceptivo oral estudado, independentemente da progesterona."
A farmacêutica ressaltou que "o risco de tromboembolismo venoso consta das bulas oficiais submetidas pela Bayer à Anvisa".
FONTE: FOLHA ONLINE